Compositor / J.T.L José T. De Lima
1 Ama o Pastor as ovelhas,
Com um amor paternal,
Ama o Pastor seu rebanho,
Com um amor sem igual;
Ama o Pastor inda outras,
Que desgarradas estão,
E comovido as procura,
Por onde quer qu’elas vão.
Pelos desertos errantes,
Vêem-se a sofrer penas mil,
Ele ao achá-las, nos ombros
Leva-as ditoso, ao redil.
2 Ama o Pastor seus cordeiros,
Com inefável amor,
Aos que, às vezes, perdidos,
Gemendo se ouvem de dor.
Vede o Pastor comovido
Pelas colinas vagar,
E os cordeiros nos ombros,
Vede-O, levando ao lugar.
3 Ama as noventa e nove,
Que no redil abrigou;
Ama a que, desgarrada.
No campo se desviou;
“Ó minha ovelha perdida!”
Clama o dolente Pastor;
Quem irá em sua ajuda,
Para salvá-la, Senhor?
4 São delicados teus pastos,
Mui quietas tuas águas são;
Eis-nos aqui. ó bom Mestre,
Dá-nos veraz direção,
Faz-nos obreiros zelosos,
Enche-nos de santo amor,
Pelas ovelhas perdidas
Do Teu redil, bom Senhor.
Significado desse louvor
O cuidado do Pastor aparece logo no primeiro movimento do louvor como um amor que não se esgota no redil. Ele não se satisfaz com a segurança das que ficaram, pois seu coração se move em direção às que se perderam. Ali se percebe um zelo que atravessa campos, trilhas e desertos, carregando nos ombros quem já não consegue caminhar.
Esse amor não mede esforço nem distância. A cena dialoga com a palavra: “Eu mesmo buscarei as minhas ovelhas e as farei repousar” (Ezequiel 34:15). Não há frieza nem indiferença; existe compaixão ativa, persistente e pessoal, capaz de ir atrás de cada nome que se afastou.
Ao avançar, o cântico aprofunda esse cuidado ao tratar dos cordeiros, os mais frágeis do rebanho. O Pastor não se irrita com seus gemidos, nem os abandona quando se desorientam. Pelo contrário, Ele os toma nos braços e segue com paciência.
Nada passa despercebido aos Seus olhos atentos. Essa ternura encontra eco em Isaías: “Como pastor apascentará o seu rebanho; nos seus braços recolherá os cordeirinhos” (Isaías 40:11). O louvor apresenta um Cristo que não apenas governa, mas ampara, protege e sustenta.
Quando a letra menciona as noventa e nove e a única que se desviou, o foco se volta para o valor individual de cada alma. O clamor do Pastor pela ovelha perdida carrega dor, urgência e esperança. Uma só vida já é razão suficiente para a busca. As palavras lembram o ensino de Jesus: “Qual dentre vós é o homem que, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai após a perdida?” (Lucas 15:4). O louvor revela um coração que não aceita perdas como algo normal.
Oração para confiar no cuidado constante do Senhor
Senhor Deus, nós nos colocamos diante de Ti reconhecendo que somos totalmente dependentes do Teu cuidado. Tu conheces nossos caminhos, sabes quando nos afastamos e percebes quando o cansaço pesa mais do que conseguimos carregar.
Sustenta-nos quando os passos ficam lentos e toma-nos em Teus braços quando a força falha. Dá-nos descanso nas Tuas promessas e segurança na Tua presença constante. Remove de nós toda dureza, todo olhar indiferente, e planta um coração sensível como o Teu.
Conduze-nos por veredas firmes, guarda-nos dos perigos ocultos e livra-nos de nos perdermos de nós mesmos. Que o Teu amor nos alcance nos dias bons e nos dias difíceis. Usa-nos com humildade para cuidar, acolher e caminhar ao lado de quem sofre.
Que nossa voz seja de consolo e nossas mãos sejam extensão do Teu cuidado. Entregamos nossa confiança, nossos passos e nosso futuro a Ti, certos de que nada escapa ao Teu olhar atento. Amém.
Na parte final, o olhar se desloca para os pastos verdes e as águas tranquilas, onde direção e descanso caminham juntos. Surge então o pedido para que o rebanho participe desse mesmo cuidado, agora como obreiros cheios de amor.
Quem foi alcançado passa a caminhar com propósito. Isso se conecta ao Salmo: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará” (Salmo 23:1). O canto conduz a uma fé viva, que anda guiada e se compromete com aqueles que ainda estão longe.
Essa mensagem alcança o coração porque fala de pertencimento, responsabilidade e sensibilidade espiritual. Ela desperta um senso de vigilância amorosa, onde ninguém é visto como número, e cada passo do Pastor se torna referência diária.
A confiança cresce ao perceber que Ele conhece o terreno, suporta o peso e conduz com firmeza. Surge também um chamado silencioso à cooperação, ao cuidado mútuo e à disposição para caminhar além da zona segura. Assim, a fé se torna prática, atenta e cheia de misericórdia, marcada por um amor que procura, acolhe e restaura com mansidão.