1 Quero vos contar a história dum varão,
Que Jesus outrora relatou.
O qual tinha dois filhos em feliz mansão,
Té que o mais jovem o deixou.
Filho desleal ao lar paternal,
Queiras hoje regressar!
Pois o Pai está por ti esperando lá;
Pecador, á volta p’ra teu lar!
2 O mais moço disse ao seu bondoso pai:
“A herança minha queiras dar”;
E a sua fazenda, alegremente vai
Num pais distante desfrutar.
3 O incauto jovem os seus bens esbanjou
Com seus camaradas, no prazer;
Eis que vindo a fome, do seu pai se lembrou
Que pudera sempre o sustar.
4 O perdido filho, ao lar por fim, voltou,
Mui arrependido do que fez;
E o pai contente, amoroso o beijou,
Pois seu filho via outra vez!
Oração por Perdão e Recomeço Espiritual
Querido Deus, nós nos colocamos diante de Ti reconhecendo que muitas vezes escolhemos caminhos que nos afastaram da Tua vontade. Tu conheces cada passo dado, cada decisão tomada e cada silêncio que carregamos no coração.
Hoje nos achegamos com humildade, confiando na Tua misericórdia que não falha. Recebe-nos como filhos, não por merecimento, mas pela Tua graça que alcança onde ninguém mais alcança. Tira de nós o peso da culpa e restaura a alegria da comunhão Contigo. Renova pensamentos, cura feridas antigas e fortalece o espírito abatido.
Que a Tua presença traga direção segura e paz verdadeira. Ensina-nos a valorizar a Tua casa, a Tua palavra e o Teu cuidado diário. Guarda nossos passos, sustenta nossas escolhas e firma-nos no caminho da obediência. Declaramos que confiamos no Teu perdão e descansamos no Teu amor eterno. Em nome de Jesus, amém.
A narrativa cantada neste louvor nasce dentro de casa, onde havia provisão, cuidado e palavra firme. Um filho escolhe partir, acreditando que a liberdade estava longe do pai. O caminho tomado pareceu promissor, mas logo revelou vazio, perda e escassez. A canção conduz o coração do crente a perceber que o afastamento nunca apaga o vínculo do pai com o filho. O amor permanece atento, mesmo quando a distância cresce. Essa verdade encontra eco nas palavras de Jesus: “Um certo homem tinha dois filhos” (Lucas 15:11–24), deixando claro que a história não começa na queda, mas no relacionamento.
Ao avançar na letra, a dor da escolha errada aparece sem romantização. O jovem desperdiça tudo e conhece a fome, situação que o faz lembrar da casa que abandonou. Esse despertar interior mostra que o arrependimento surge quando a alma reconhece onde errou. A consciência acorda quando o orgulho cai. A Escritura confirma isso ao dizer: “Caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura” (Lucas 15:17–19). A decisão de voltar não nasce da exigência, mas da memória do cuidado paterno.
O retorno muda o rumo da história. O pai não interroga, não humilha, não impõe condições. Ele corre, abraça e restaura. O abraço antecede qualquer explicação. Esse gesto revela quem Deus é para o pecador arrependido, como também está escrito: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós” (Tiago 4:8). Nesse ponto, o louvor conduz o pensamento ao reencontro com o Pai. Ao Lar Paternal. Essa expressão carrega descanso, perdão e recomeço.
A profundidade desse cântico também se fortalece ao lembrar quem o compôs. Autor ou Tradutor: P.L.M Paulo Leivas Macalão, um servo que soube unir teologia, sensibilidade e linguagem congregacional. Sua contribuição à hinologia brasileira permanece viva. Ao longo da caminhada da igreja, esse louvor ficou conhecido. o hino da harpa 318. Ele atravessou gerações anunciando reconciliação, retorno e graça abundante. Como afirma a Palavra: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar” (1 João 1:9).
Ao cantar esse louvor, o coração é conduzido a uma postura de exame sincero diante de Deus. Não se trata de emoção passageira, mas de alinhamento interior. O texto mostra que sempre existe um caminho aberto para quem decide voltar, independentemente do tempo ou da distância percorrida. A canção aponta para um Pai que não perde a esperança e que mantém a porta aberta. Deus não cancela filhos; Ele restaura caminhos. Essa verdade gera consolo, confronta escolhas e fortalece a confiança naquele que recebe de braços abertos.

