Hino 302 da Harpa Cristã – Não Murmures; Canta

Compositor / E.K Eufrosine Kastberg

1 No mundo murmura-se tanto,
Entre os que cristãos dizem ser;
Em vez de Iouvores há pranto,
Fraqueza em lugar de poder.
Murmuram – assim no deserto,
Em Mara, Israel murmurou;
Oh! Não vêem que Deus está perto;
Jamais Seu auxilio negou.

Em vez de murmurares, canta
Um hino de louvor a Deus;
Jesus quer te dar vida santa,
Qual noiva levar-te p’ra os céus.

2 Tu vives, irmão, murmurando,
Tal como um escravo do mal;
Se Deus a tua fé stá provando,
Tu não tens razão para tal.
Deus castiga aquele a quem ama,
De ti. também não se esqueceu;
Qual pai amoroso te chama,
E cuida, sim, do que é Seu.

3 E mesmo se as ondas rugirem.
No revolto e bravio mar,
Os céus poderás ver se abrirem,
Se um hino tua alma cantar,
Não temas ciladas, nem morte,
Pra cima tu deves olhar;
O leme segura bem forte,
Até do céu a luz raiar.

4 Se um hino cantar tu puderes,
Nas horas de grande aflição.
Então voarás, se quiseres,
Até a celeste mansão;
Nas asas da águia levado.
Bem perto do mar de cristal
E por fim então libertado,
A terra, chegar, celestial.

Significado do hino

O cântico confronta uma prática silenciosa que corrói a fé: a murmuração travestida de piedade. Enquanto lábios reclamam, o coração perde a sensibilidade para perceber a presença de Deus no caminho. Israel fez isso diante das águas amargas, mesmo tendo visto o livramento pouco antes, e a Escritura registra: “E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que beberemos?” (Êxodo 15). O hino chama o crente a trocar o lamento repetido pelo louvor consciente, porque Deus nunca se afasta do Seu povo, ainda quando o deserto insiste em provar a confiança.

A segunda estrofe aprofunda a disciplina como expressão de cuidado, não como abandono. A prova da fé não nasce do descaso divino, mas do zelo paterno que forma caráter e dependência. A Palavra afirma: “Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho” (Hebreus 12). Murmurar nessas horas revela um coração ainda preso às correntes antigas, enquanto confiar demonstra maturidade. A correção divina guarda quem pertence a Ele, mesmo quando o processo aperta.

O olhar então se desloca para o mar revolto, cenário onde o temor tenta assumir o leme. Ainda assim, o louvor rasga o céu e abre passagem à esperança. O salmista declarou: “Os que descem ao mar em navios… clamam ao Senhor na sua angústia” (Salmos 107). O hino sustenta que cantar não é negar a tempestade, mas afirmar quem governa as águas. A fé mantém o rumo quando a força humana falha, e o coração aprende a olhar para cima.

Por fim, a linguagem se eleva à esperança eterna. A figura da águia aponta para renovação e para um destino preparado. Isaías escreveu: “Os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias” (Isaías 40). A travessia não termina no mar; ela conduz à cidade celestial, perto do trono descrito em Apocalipse 22. O louvor antecipa a liberdade prometida, sustentando a caminhada até o fim.

Oração por esperança firme até o fim

Senhor Deus, diante de Ti colocamos o coração cansado e a mente muitas vezes inquieta. Quantas vezes a voz se adianta em queixa quando o silêncio seria melhor, e o louvor fica guardado quando deveria subir aos céus.

Hoje reconhecemos que Tu estás perto, mesmo quando o caminho parece seco ou as águas estão amargas. Sustenta-nos quando a fé é provada e ajusta nossos passos quando a disciplina se faz necessária.

Dá-nos olhos atentos para perceber Teu cuidado diário e mãos firmes para segurar o leme quando o mar se agita. Que a nossa boca escolha palavras que honrem o Teu nome e que a alma encontre descanso na Tua fidelidade.

Renova as forças dos que estão abatidos, fortalece os que se sentem fracos e reacende a esperança dos que caminham há muito tempo. Conduze-nos com Tua luz até o dia em que toda luta cessará e o louvor será pleno. Em nome de Jesus, amém.

Conclusão

Ao caminhar por essas verdades, o crente encontra direção prática para o cotidiano. O canto transforma a reação interior diante da prova, organiza o coração quando a mente se confunde e reposiciona a fé longe da reclamação automática.

A disciplina deixa de ser peso e passa a ser cuidado atento. A tempestade perde o poder de paralisar, porque o foco se firma naquele que governa tudo. A esperança futura dá sentido às lutas presentes, sem negar a dor, mas colocando-a no devido lugar.

Assim, a boca aprende a escolher palavras que edificam, o coração se firma na confiança e a jornada segue com mais serenidade, sustentada por louvor sincero e por uma expectativa viva que não se apaga com o tempo.

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